Na revista Época (Por Rodrigo Capelo):

A Arena Corinthians, levantada pela Odebrecht por R$ 985 milhões, faz muito menos dinheiro do que cartolas sonharam anos atrás. Em reunião no Conselho Deliberativo corintiano, meses antes da Copa do Mundo de 2014, o ex-presidente Andrés Sanchez mostrou projeções exorbitantes em apresentação no Power Point aos conselheiros. Previa arrecadar R$ 330 milhões por ano. O sigiloso contrato de operação, que dá ao time o comando sobre a arena, assinado em 10 de junho de 2014 e obtido na íntegra por ÉPOCA, possui uma estimativa bem mais conservadora: R$ 150 milhões anuais. A meta estipulada no documento é menor – R$ 112 milhões. O que cartolas não esperavam é que a realidade fosse ser ainda mais severa. A Arena Corinthians arrecadou R$ 90 milhões em 2015 – ou R$ 7,5 milhões por mês – conforme relatou Rodrigo Cavalcante, da BRL Trust, responsável pelo fundo que controla o estádio, em reunião do conselho corintiano na noite de 7 de março. A performance abaixo do estipulado tem efeitos negativos para o Corinthians. Em curto prazo, o clube sacrifica as próprias finanças para cobrir o rombo. Em médio, abre brecha para perder a operação da arena para o fundo.

O Corinthians perde a operação da Arena Corinthians para o fundo representado pela BRL Trust, empresa do mercado financeiro indicada pela Odebrecht para administrar o estádio, se não chegar à receita mínima do contrato. É a chamada “meta anual global”. São R$ 112 milhões. Este valor é reajustado pelo IPCA do ano anterior, um índice de inflação, que em 2014 ficou em 6,4%. O time, portanto, precisava ter faturado R$ 119 milhões no estádio em 2015 para cumprir o que está documentado. Não conseguiu. Isso acende o sinal de alerta. O Corinthians só tem mais dois anos, 2016 e 2017, para não acordar em janeiro de 2018 sem o comando sobre o próprio estádio.

O problema é que, segundo dirigentes ouvidos por ÉPOCA, a meta é inatingível. O Corinthians espera finalmente vender os naming rights da Arena Corinthians em 2016. Trata-se do direito de uma empresa de rebatizar o estádio, promessa de Sanchez que se arrasta desde antes da construção, por uma boa grana. O valor negociado, segundo Emerson Piovesan, diretor financeiro do clube, chega a no máximo R$ 20 milhões anuais. O fundo da BRL Trust calcula que as bilheterias continuarão como estão, em R$ 70 milhões anuais. Desse modo, para chegar aos R$ 127,6 milhões em receita que Cavalcante prometeu a conselheiros corintianos, o estádio precisará fazer R$ 37 milhões com camarotes, cadeiras corporativas e outros patrocínios. Em 2015 a Arena Corinthians não chegou nem à metade disso mesmo numa temporada que teve título nacional e Libertadores.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar
Logo Qualitare