Por Miguel Jabour (*) – Dá gosto trabalhar em uma empresa cujos objetivos são claros, as metas são compatíveis, o controle de performance é de fácil acesso, e, principalmente, que tenha um plano de distribuição dos lucros para todos os funcionários.

Existe uma ferramenta desenvolvida por dois professores da Universidade de Harvard, Norton e Kaplan, chamada Balanced Scorecard – BSC, que permite que os gestores controlem,  por indicadores estabelecidos por eles mesmos, a saúde de uma empresa sob quatro perspectivas: a situação financeira, a satisfação dos seus clientes, a atualização dos seus processos internos e a aprendizagem e o desenvolvimento dos seus funcionários. A cadeia tem que funcionar equilibradamente, pois não adianta a Companhia estar muito bem financeiramente, se seus clientes estão insatisfeitos. Ela pode ser monopolista, por exemplo. Ela pode estar muito bem financeiramente, seus clientes contentes, mas seus processos internos estarem defasados e seus equipamentos tecnológicos obsoletos, tornando difícil o acesso dos clientes e fornecedores. Ou ainda, a empresa pode estar bem financeiramente, bem com seus clientes, bem com seus processos internos e seus funcionários estarem insatisfeitos com os salários, com a falta de treinamento, com o plano de carreira ou sem pagamento de bônus por desempenho superior. Em resumo: tem que ter uma harmonia entre todos os quatro pontos.

A ambição não é pecado, mas o administrador deve ter cautela ao dosar o tamanho dos desafios. Se esticar muito a corda e a meta se tornar impossível de ser alcançada,  pode virar um elemento de desmotivação. Ele deve dar a direção e o equipamento para o alpinista chegar ao cume da montanha. Sem treino e com os instrumentos inadequados, qualquer morrinho vira um Monte Everest. O propósito também tem que vir acompanhado de recompensa e o prêmio tem que ter atratividade para quem o conquista. Não adianta prometer dar entradas na primeira fila de uma competição de UFC, com passagem e hospedagem em um luxuosíssimo Hotel em Dubai, se o premiado não apreciar lutas. Pode até pensar que vai espirrar sangue na cara dele quando estiver sentado perto do ringue. Oferecer como premiação uma viagem para Machu Picchu para um grupo que tenha um participante com problemas cardíacos ou com dificuldade de locomoção, pode até ser considerado falta de respeito. Na prática, veja o que não deve ser feito: uma ocasião, eu resolvi estimular toda a equipe de vendas no caso do atingimento de um intento no dia das mães. A premiação era um fim de semana em Buenos Aires, com direito a acompanhante, com  tudo pago. O objetivo foi alcançado e reunimos o grupo para marcar a data da viagem. Foi aí que começou o problema. Quando não era o aniversário do filho, o motivo da falta de consenso era a doença da sogra. Até com quem deixar o cachorro foi um motivo alegado  para não fecharmos o dia da partida. Aquilo que seria um festejo com o objetivo de fortalecer a equipe para outros desafios, virou uma dor de cabeça. Resultado: tive dividir o grupo em duas datas diferentes e os pacotes ficaram muito mais caros. A conclusão que cheguei foi que a melhor recompensa é o dinheiro.

O cuidado com a celebração tem que ser redobrado. Tem que ser na medida certa. Ir a um restaurante ou a um barzinho pode tornar a reunião inconveniente para determinados tipos de pessoas, principalmente se houver bebida alcoólica. Temos que respeitar as individualidades, tais como: timidez, religião, casamento, entre outras coisas. Mas é fundamental comemorar.

Trabalhei no departamento comercial de uma empresa que havia distribuição de dividendos para todos os empregados. Era uma espécie de 14 o. salário. Nela, eu comercializava produtos especiais que faziam muita diferença no resultado anual. Quando eu pegava um carro para visitar um cliente, o motorista já sabia que eu estava levando um projeto e que aquela visita poderia resultar no sonhado bônus para ele e para sua família em dezembro. O funcionário me levava com todo entusiasmo e dizia: vamos lá doutor, conto contigo para reforçar a ceia de natal. Aí eu dava uma de jogador de futebol mascarado e respondia: tá difícil, mas vamos chegar lá. No ano passado estava assim e conseguimos. Aquilo para mim também era uma injeção de ânimo. Sentia-me um Zico. Naquele tempo, quando o jogo estava duro, o Júnior, o Leandro e o Adílio, todos craques, entregavam a bola para o goleador e diziam: vai lá Galinho, resolve essa para nós. E era bicho certo.

Fica sem sentido pagar o prêmio e comemorar, se não for pactuado antes o desafio. Também não vale desafiar e comemorar, se não tiver o reconhecimento traduzido em algo material. Da mesma forma, desfiar e dar a gratificação sem comemorar, fica faltando a homenagem, a massagem no ego.

Nas empresas é assim que a coisa funciona: desafiar, remunerar e celebrar

 

  • Miguel Jabour é advogado, publicitário e consultor master da El-Kouba. Ele escreve aos sábados aqui no blog.

1 Comentário

  1. E, com tudo isso, já velho e com dificuldades no mercado de trabalho, o “colaborador” leva um pé no traseiro…

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar
Logo Qualitare