Palco de incêndio que resultou em dez mortos nesta sexta-feira, o CT Ninho do Urubu, do Flamengo, foi alvo de ação recente do Ministério Público do Rio de Janeiro pelas más condições oferecidas aos atletas de base que aplicava. A informação é do UOL Esportes. O processo, iniciado em 2015, faz menção a irregularidades no centro de treinamento e foi remetido ao MP-RJ também nesta sexta, após a tragédia.

A ação, que tinha audiência de julgamento marcada para maio deste ano, cita precariedade dos colchões, menores residindo no CT sem autorização dos pais. Trecho ao qual o UOL Esporte teve acesso também fala em dificuldades de pais no acesso e visitas aos seus filhos.

Em nota divulgada nesta sexta, o Tribunal Regional do Trabalho da 1º Região (TRT) afirma que, segundo o MP, as condições eram comparáveis à de centros de detenção para menores infratores. “Precárias condições oferecidas pelo Clube de Regatas do Flamengo a seus atletas são inferiores até mesmo àquelas ofertadas aos adolescentes que cumprem medida socioeducativa de semiliberdade em unidades do Departamento Geral de Ações Educativas (Degase), o que revela o absurdo da situação”, diz o comunicado.

Ao longo da ação, foram determinadas diversas vistorias no local, e houve concessão de prazo para que o Flamengo sanasse as irregularidades. O processo tramita na 1ª Vara da Infância da Juventude e do Idoso do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro

CT foi notificado para interdição em 2012

Problemas e dúvidas sobre as licenças necessárias não chegam a ser uma novidade na realidade do Centro de Treinamento George Helal, o Ninho do Urubu. O CT do Flamengo viu a Prefeitura do Rio de Janeiro decretar administrativamente a sua interdição por falta de alvará de funcionamento há sete anos.

Em uma publicação no Diário Oficial do Município em janeiro de 2012, o auto de infração de número 569057 informava que o clube teria que arcar com uma multa de R$ 399,39. A Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop) determinava ainda que o Rubro-negro sofreria o ônus de R$ 570,56 diários caso decidisse abrir as portas.

“Temos alvarás de licenciamento de obras. Para poder fazer as obras no Ninho do Urubu, tivemos o cuidado de buscar 23 licenças. Ficamos concentrados nisso e pode ter havido uma falta de informação. (…) Acredito que precisamos de um alvará de funcionamento provisório, já que as instalações do CT, hoje, são provisórias”, disse, à época, o então vice-presidente de administração do clube, Cacau Cotta.
Horas depois, o Flamengo informava ter resolvido o problema e realizou normalmente um treino do elenco de Ronaldinho Gaúcho, Léo Moura e companhia.

Também em janeiro de 2012, a Seop informou que o mesmo CT que foi palco de tragédia nesta segunda-feira (8) fora notificado seis vezes desde 2004 por falta de alvarás. A Secretaria e o clube não especificavam quais eram os problemas.

5 Comentarios

  1. Que vergonha. Um clube desta grandeza e tradição não oferecer segurança para seus atletas. Quanta irresponsabilidade e descaso com a vida desses garotos. Tem que ser punido exemplarmente, para servir de lição para os outros clubes que negligenciam a base. Nada de #ForçaFlamengo ou coisa do tipo. Eles contribuíram para a tragédia e isso não pode ser esquecido. Força quem precisa são os pais das vítimas e os sobrevivente que confiaram no Flamengo e agora sofrem pela irresponsabilidade do clube que não zelou pela vida de seus jogadores/funcionários.

  2. Infelizmente, no Brasil, é sempre assim: depois da porta arrombada, coloca-se a tranca! Não vou condenar inteiramente o Meiguinho porque, antes da edificação da Arena, em Itaquera, o Corinthians dizia ter um CT, ali, que, na verdade, era um aglomerado de contêineres…

  3. O clube foi multado 30 vezes, recebeu ordem de interdição do local, o Flamengo tem culpa do que aconteceu! O clube tratou esses garotos com total descaso.

    • Todos garotos humildes dispostos a aceitar qualquer coisa para permancerem no clube. Enquanto isso, no elenco profissional, luxo e mordomia. E pensar que no futuro esses garotos poderiam render uma boa grana ao clube, mas enquanto ainda eram promessas, a vida deles não tinha tanto valor. Muito triste tudo isso. Se no Flamengo é assim, imagine num time menor.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar
Logo Qualitare