Na Gazeta do Povo-PR (Por André Pugliesi) – Uma mistura de paixão e obsessão faz três colecionadores reunirem mais de mil camisas de Atlético, Coritiba e Paraná. Acervo que preserva e conta a história do futebol paranaense, provoca orgulho aos donos e pavor nas esposas.
“Um dos segredos para manter a coleção viva é não revelar para a mulher quanto custou cada camisa”, brinca o empresário Fernando Cabral, 36 anos, proprietário de cerca de 900 mantos do Coxa.

Algumas peças superam, facilmente, a faixa dos R$ 1 mil. Especificar os valores, entretanto, é um tabu entre os adeptos do colecionismo. O segredo é trunfo no momento de barganhar nas negociações.

“Há pessoas que chutam alto os preços para tentar levar vantagem. Outras querem se aproveitar da ignorância de alguns. Mas hoje em dia, com tanta informação, é difícil achar uma camisa rara dando sopa”, comenta o atleticano Pedro Neto, 36.
Neto é dono da Camisa Futebol Clube, loja especializada em artigos raros, usados e “incomuns”. Está localizada no Omar Shopping, centro de Curitiba, desde 2008. Como colecionador, tem mais de 300 rubro-negras.

“A procura por camisas antigas sempre existiu e continua igual. As camisas novas desvalorizam muito rápido, não vale a pena comprar logo que são lançadas. Vão ganhar interesse daqui a 10, 15 anos”, comenta Neto.

William Bohlen, 29 anos, é um dos clientes. Torcedor do Paraná, o personal trainer é o maior colecionador de camisas do clube. Possui mais de 400, considerando itens de Pinheiros e Colorado, os antecessores do Tricolor.

“Comecei porque achava que tinha pouca camisa para ir aos jogos, repetia demais. Aos poucos foi crescendo e hoje é quase uma obsessão, algo importante na minha rotina”, diz o torcedor, que é filho do ex-presidente do Paraná, Rubens Bohlen.

O objetivo de William é reunir todas as camisas do Tricolor. E cada mudança, por menor que seja, como um patrocínio, representa um modelo diferente. Quando conseguir, o paranista pretende publicar um livro com o histórico.

A utilidade das camisas, aliás, é outro ponto importante. Os três gostariam de contribuir com os times do coração na montagem de um museu, memorial, algo que sirva para tirar o acervo do armário.

“Já vivi essa experiência na criação do Memorial do Coritiba, no Couto Pereira. É gratificante saber que a coleção provoca tanta curiosidade e emociona os torcedores”, comenta o coxa-branca Fernando Cabral.
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