Por Miguel Jabour (*) – Está muito difícil planejar nos tempos atuais. No nosso País então, tudo fica mais complicado. É andar na corda bamba, sem rede de proteção. É fazer malabares com tomates, com risco de todos esborracharem no chão. É sentir o frio na barriga do trapezista quando solta as mãos.

Escrever em fevereiro sobre planejamento anual é já ter perdido, praticamente, 2 meses. Então, proponho que ele seja feito de março deste ano até março do próximo ano.

A primeira sugestão é exercitar o autoconhecimento. Conhecer os seus hábitos e, principalmente, o tipo de pessoa que você é: conservadora ou moderada? Dinâmica ou Arrojada?

Gosto de seguir os ensinamentos de Howard Marks: “Nunca sabemos aonde estamos indo, mas seria bom ter uma ideia de onde estamos”. Para mim, é esse o ponto de partida. Aonde estamos, para onde iremos e como chegaremos lá.

O desafio é decidir se queremos investir, guardar ou gastar. Com o fim dos rendimentos de 1% ao mês para as aplicações sem muito risco, entramos na era da produtividade. Estávamos acostumados a jogar com muitos coringas. Acabou. Dinheiro não se ganha, dinheiro se faz, como disse Beto Sucupira. Dinheiro ganho, só se for de herança, e até isso está mais difícil pelo aumento da alíquota de impostos de transmissão. Com o impacto da queda das taxas de juros nas finanças pessoais temos que agir como os povos civilizados: mais acesso do que posse.

Traduzindo: é melhor usar do que ter. Pulverizar é diferente de diversificar, pois a segunda envolve riscos. Quem sou eu para recomendar alguma coisa, mas vou focar o meu planejamento pessoal no curto prazo, buscando baixa volatilidade e alta liquidez. É adotar a visão simplista do baixo risco, com retorno moderado. Esconder dinheiro está cada vez mais difícil, pois somente países em guerra ou com regimes ditatoriais aceitam depósitos sem indicação de origem. Além disso, a Receita Federal conta com métodos sofisticados de cruzamento de informações, inclusive de bancos internacionais. A imprevisibilidade do que fará o congresso, a instabilidade comercial no mundo inteiro e a desvalorização da nossa moeda, serão outras variáveis importantes. As antigas máximas já não são mais obedecidas. Juros baixos, imóveis em alta e quando a Bolsa sobe, dólar caí, não valem mais nada. Então, é fazer os planos de finanças, de saúde, de viagens, de cursos e outras coisas importantes e colocar no papel, para ter o auto comprometimento. E se o exercício do planejamento não resultar em nenhum ganho, adotaremos o comentário de Nelson Mandela. Eu nunca perco: ou eu ganho ou eu aprendo.

  • Miguel Jabour é advogado, publicitário e consultor em planejamento comercial. Ele escreverá todos os sábados aqui no blog.

 

3 Comentarios

  1. Falar de finanças é muito chato!

  2. Bom, o texto! Mas talvez o autor já tenha dito tudo, sobre finanças, que conseguiria (sintetizou bem o seu pensamento sobre o assunto). Gostaria de lê-lo sobre política e assuntos diversos, podendo voltar às finanças, eventualmente.

  3. …exercitar o autoconhecimento…. como se isso fosse uma coisa fácil kkkkkkkkk

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar
Logo Qualitare