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No jornal O Globo (Por Carolina Oliveira Castro) – São 118 hectares de abandono. Quatro meses depois do encerramento dos Jogos Paralímpicos, o Parque Olímpico da Barra está aparentemente em processo de degradação. O GLOBO conseguiu ter acesso às áreas no entorno de algumas arenas e constatou estruturas temporárias ainda montadas, lixo, falta de manutenção, piscina suja e com água parada, resto de material largado e falta de pavimento e buracos nas calçadas. A baixa segurança acarretou furtos de fios e materiais. Apesar do cenário de abandono, o Parque, em tese, está sendo cuidado. No dia 24 de novembro, a Prefeitura do Rio contratou, em caráter emergencial (sem licitação), a M. Rocha Engenharia. Para cuidar das arenas e da área comum do Parque, desde a assinatura do contrato até fevereiro, a empresa vai receber R$ 3.324.576,31. Porém, não há qualquer sinal de manutenção e tampouco de funcionários da empresa nos locais.

A empresa possui mais três contratos com a prefeitura, todos em caráter emergencial, para outros serviços. No total, sem licitação, a empresa deve receber cerca de R$ 9 milhões do município. Os contratos foram firmados na gestão do prefeito Eduardo Paes. A empresa não foi localizada para dar esclarecimentos sobre o contrato em vigor.

O Parque Olímpico foi construído para os Jogos do Rio ao custo de mais de R$ 2,5 bilhões e deveria ser o maior legado esportivo da cidade. No entanto, o que se vê hoje são: torres de televisão usadas por canais estrangeiros e algumas estruturas temporárias, que já deveriam ter saído, destruídas, com tetos caídos, fios soltos e peças fora do lugar. Um material de obra ocupa o lugar onde antes havia uma grande praça de alimentação temporária.

O velódromo — feito às pressas para os Jogos e inaugurado no fim de junho — já tem uma parte da fachada se soltando e um buraco. Nas calçadas, parafusos quebrados e restos de canos saem pelo concreto, levando perigo a quem caminhar pelo local. Apesar da presença de alguns guardas municipais na entrada das arenas, o acesso às áreas restrita não é difícil. A segurança interna deveria ser feita por uma empresa privada ou pela Policia Militar, no entanto a ausência acarretou furtos de fios e materiais. No IBC — o prédio dos estúdios de TVs — não há luz e, de lá, até computadores foram roubados.

A área no entorno do Centro Olímpico de Tênis, que vai receber, no domingo, o evento Gigantes da Praia — desafio de vôlei de praia entre quatro medalhistas olímpicos —, está sendo limpo. Mas uma simples caminhada até o final da Via Olímpica mostra uma situação assustadora.

A piscina de aquecimento, que nos Jogos estava coberta por uma estrutura temporária, está a céu aberto. Sem tratamento, a água acumulada está com lodo e insetos, inclusive mosquitos. As lonas desenhadas pela artista plástica Adriana Varejão estão rasgadas, deixando a estrutura à mercê do tempo.

Em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura justificou a demora para a desmontagem das piscinas: “a subsecretaria de Esporte e Lazer já está tratando com o Ministério do Esporte e o Exército, para realizar desmontagem e transporte das piscinas para o Forte São João, na Urca, operação que requer trabalho especializado por ser um equipamento de esporte de alto rendimento. A prefeitura tem prazo até o mês de agosto.”

Nos prédios do IBC e da mídia impressa (MPC), há vidros quebrados e portas abertas. Extintores de incêndio jogados perto de prédios de vidro podem servir de armas. E as grades espalhadas por todo o parque estão fora do lugar e não são um real impedimento para a entrada de estranhos.

A arena de handebol está fechada e será desmontada para virar quatro escolas. Com a estrutura pré-moldada em concreto, apresenta desgaste menor que o velódromo e centro aquático. Esta desmontagem será paga pelo Ministério do Esporte. Caberá à prefeitura licitar o contrato. Em nota, a atual prefeitura disse que “o Ministério do Esporte é quem vai gerir todas as instalações esportivas do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, assim como ficou responsável pela desmontagem e remontagem do Centro Aquático e da Arena do Futuro — onde foi disputado o handebol— , sendo que essa última vai virar quatro escolas municipais. A exceção é a Arena 3 que está sob gestão da Prefeitura do Rio e que vai virar uma escola municipal com uso de área esportiva. A Prefeitura já está formatando, com a ajuda de professores e diretores, a melhor forma de adaptar a instalação.” A prefeitura não deu prazo para a desmontagem da arena de handebol.

SEM INTERESSADOS

Já as Arenas Cariocas 1, 2 e 3 não aparentam tanto desgaste. Quando a reportagem esteve no Parque Olímpico, operários estavam desmontando estruturas no entorno das arenas. As 1 e 2 deverão ser administradas pelo Ministério do Esporte, que ainda não anunciou um plano esportivo para elas.

O destino do Parque Olímpico sempre foi motivo de preocupação. Depois de muita discussão, o então prefeito Eduardo Paes resolveu assumir a gestão e repassá-la para a iniciativa privada — que poderia explorara comercialmente. A exceção seria a Arena Carioca 3, que vai virar um Ginásio Educacional Olímpico. Caberia à iniciativa privada fazer as desmontagens restantes, além de executar uma obra de adaptação do Parque, que incluía uma pista de atletismo. Por falta de interessados, a prefeitura cancelou a licitação e passou a gestão para o Ministério do Esporte.

Uma liminar havia cassado o acordo com o Ministério do Esporte. Agora, segundo a prefeitura e o ministério, não há mais este impedimento.

 
 

1 Comentário

  1. Isso era esperado, infelizmente.

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