Por Miguel Jabour (*) – Não gosto de utilizar expressões estrangeiras, pois beiram ao pedantismo. Contudo, existem algumas, que, traduzidas, tornam-se incompreensíveis. Time out é uma delas e significa: parar para reorganizar as estratégias.

O momento atual faz lembrar a parábola do velho lenhador: Certa vez, um velho lenhador, conhecido por sempre vencer os torneios que participava, foi desafiado por um outro lenhador jovem e forte para uma disputa. A competição chamou a atenção de todos os moradores da localidade. Muitos acreditavam que finalmente o velho perderia a condição de campeão, em função da grande vantagem física do jovem desafiante.

No dia marcado, os dois competidores começaram a disputa, na qual o jovem se entregou com grande energia e convicto de que seria o novo campeão. De tempos em tempos olhava para o velho e, às vezes, percebia que ele estava sentado. Pensou que o adversário estava velho demais para a disputa, e continuou cortando lenha com todo vigor.

Ao final do prazo estipulado para a competição, foram medir a produtividade dos dois lenhadores e o resultado foi que o velho venceu novamente, por larga margem, o jovem e forte lenhador.

Intrigado, o moço questionou o velho:
– Não entendo, muitas das vezes quando eu olhei para o senhor, durante a competição, notei que estava sentando, descansando, e, no entanto, conseguiu cortar muito mais lenha do que eu, como pode!!

– Engano seu! Disse o velho. Quando você me via sentado, na verdade, eu estava amolando meu machado. E percebi que você usava muita força e obtinha pouco resultado.

Dizem que o esporte imita a vida. No futebol, em momentos de extremo calor ou frio, existe a parada técnica. Na fórmula 1, em momentos críticos de pista insegura entra o carro madrinha e todos são obrigados a diminuir a velocidade e andar enfileirados.

A atual situação criada pelo coronavírus, onde o isolamento priva todo mundo da companhia de parentes e amigos, lembra também a parada nos boxes para trocar os pneus e colocar combustível.

A hora é de aproveitar o confinamento para mudar a forma de pensar e, talvez, reorganizar as estratégias.

  • Miguel Jabour é advogado, publicitário e consultor master da El-Kouba, e é colaborador do blog.

1 Comentário

  1. Ótimo texto, a vantagem da experiência, é que muitas vezes, é aliada a sabedoria.Lembro do Tite no Corinthians que preferia jogar com atletas mais experientes que jovens com maior bigor físico, porém inexperientes, Carrille também tem o mesmo modo de pensar e esse era um dos motivos que a torvida pefia o Pedrinho e Carrille preferia outro jogador.Hoje vemos no Corinthians um ataque inexperiente que no momento crítico para finalizar uma jogada o fazem com imperfeições.

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