O futebol feminino do Brasil está fora dos Jogos Olímpicos, após empatar em 0x0 com o Canadá, no tempo normal e na prorrogação, mas perdendo nas penalidades máximas.

Foi um jogo memorável, apesar da ausência de gols. A seleção brasileira evoluiu muito com a treinadora sueca Pia Sundhage. É um time defensivamente bem estruturado, com duas excelentes zagueiras, Erika e Rafaelle, mas o que está fazendo falta é o esplendor da nossa camisa 10, Marta.

Definitivamente, Marta não faz mais a diferença. Não corre, se esconde do jogo. É o peso da idade, certamente, mas o Brasil sempre meteu medo aos seus adversários quando a Rainha estava em sua plenitude. É bom lembrar que, no Rio 2016, a seleção do Canadá já havia sido algoz do Brasil ao vencer por 2 a 1 a disputa de terceiro lugar e ficar com a medalha de bronze da Olimpíada.

Enfim, desta vez perdemos nos pênaltis, que, para muitos, é uma espécie de “loteria”. Há controvérsias, como você pode ver nesse texto a seguir.

Um estudo profundo sobre pênaltis

  • No Twitter de Geir Jardet (@GeirJordet), pesquisador, professor e consultor em psicologia do futebol:A disputa de pênaltis no futebol é a essência do desempenho sob pressão. Passei 5 anos da minha vida estudando a psicologia deste evento.

Analisamos vídeos de CADA ÚNICO TIRO na Copa do Mundo, Euro e Liga dos Campeões de 1976 até hoje, entrevistamos 25 jogadores que estavam lá e testamos pessoalmente as previsões na prática com 15 times de elite. A conclusão nada surpreendente: este é um jogo psicológico!

Os jogadores da Copa do Mundo, do Euro e da Copa América perdem mais chutes quando a pressão é alta (no final da disputa), têm menor habilidade de chute (defensores), têm mais de 23 anos (jogadores mais jovens marcam mais) e estão cansados (jogados 120 min).

“Superstars” podem ser uma desvantagem em uma disputa de pênaltis. DEPOIS de receber um prêmio individual de prestígio, os jogadores acertam 65% de suas tacadas. ANTES de receber o prêmio, eles pontuam 89%. O status adiciona pressão a um evento que já é de alta pressão!

A mente positiva ajuda! Os jogadores que precisam marcar para não perder instantaneamente marcam 62% de seus arremessos, enquanto 92% dos arremessos em que os gols dão uma vitória instantânea são marcados. Os jogadores também se preparam mais rápido e desviam o olhar mais em tiros de alta tensão perdidos instantaneamente.

Players from different countries historically respond differently to the stress of penalties. English players,  more than others, have turned their gaze away from the goalkeeper AND responded quicker to whistle. Probably to get relief from stress.

Fantasmas do passado desempenham um papel importante no desempenho hoje. Se o seu time perdeu no (s) tiroteio (s) anterior (es), é mais provável que você perca o arremesso atual; se o seu time vencer, você tem mais chances de marcar. Válido também se não estiver pessoalmente envolvido em eventos anteriores.

Preparação rápida (colocação da bola / reação ao apito) associada a menos gols. Aterrado e composto é mais inteligente. No entanto, uma curta espera (pelo sinal do árbitro) está ligada a mais gols, sugerindo que os goleiros devem atrasar o árbitro.

Entrevistas com 10 jogadores que participaram da disputa de pênaltis no Euro 2004 mostraram que eles enfrentaram uma intensa explosão de emoções diferentes – tanto úteis quanto prejudiciais, positivas e negativas. A ÚNICA emoção que todos experimentaram foi ANSIEDADE.

Tirar uma foto em um tiroteio é uma experiência dinâmica e intensa de estresse. Em todas as fases do tempo (após a prorrogação, meio círculo, caminhada, tiro), a maior ansiedade é experimentada no meio círculo. Desde o início da caminhada, o foco principal está na cena.

Muitos acreditam que as penalidades têm tudo a ver com sorte. Verdadeiro ou não; descobrimos que quanto mais jogadores acreditam que o resultado das penalidades depende do acaso / loteria, maior é a probabilidade de eles experimentarem ansiedade destrutiva. A percepção de controle é a chave.

Cada chute é um ato individual, mas a disputa é um evento de equipe. A comunicação dos jogadores (verbal / não verbal) é crítica para o resultado! A celebração extensiva ou intensa de um objetivo individual aumenta a chance de o time vencer.

O conhecimento sobre os fatores de sucesso é apenas o começo para dominar a disputa de pênaltis na prática. Equipes inteligentes abordam isso de forma holística, transferem os insights para ações concretas e praticam com qualidade. As melhores equipes em 2021 são comprometidas, inteligentes e clandestinas.

3 Comentarios

  1. Excelente matéria. Só discordo quando fala que Marta se escondeu nos jogos, ela bateu os pênaltis quando tinha que bater (e converteu, como diz a matéria pênalti não é loteria) e foi a voz ativa do grupo. Se não correu o suficiente, é natural que o peso da idade imponha este limite, o que poderia ser compensado com sua experiência em estar nas melhores posições no campo – para isto teria que ter colegas que fossem eficientes em lhe passar a bola, o que não ocorreu. Por fim, as seleções brasileiras de futebol nesta Olímpiada não fizeram um único jogo bom até o momento em que escrevo.

  2. Essa seleção feminina é muito fraca. Não adiantou ter trazido a técnica gringa. Parece que não tem projeto, ambição, confiança. Uma andorinha só não faz verão. Nunca foi suficiente ter Marta liderando a equipe.

  3. Quem bate mal pênaltis sistematicamente é porque é burro, grosso ou desinteressado (não comprometido). E mais burro é o treinador que não sabe escolher os batedores. Pode parecer trivialidade, mas é muito comum no futebol. A maioria bate mal, e quando perdem nas 5 cobranças iniciais é porque foram mal escolhidos (em tese, os primeiros deveriam ser os melhores nos treinamentos)…De resto, as “meninas” não empolgaram…A treinadora deu certa disciplina tática a elas, mas parece que falta ofensividade e qualidade. Hora de renovação total…

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