Vandenbergue Machado, lobista da CBF em Brasília há 19 anos, está deixando a entidade. Lauro Jardim, em O Globo, informa que ele pediu demissão. Machado atuou como servidor do Senado por décadas e foi contratado por Ricardo Teixeira para cuidar dos interesses da CBF no centro do poder depois de uma indicação de Renan Calheiros. No mesmo movimento, a CBF fechou o seu escritório em Brasília, onde possuía oito funcionários.

Mas esse tal Vandenbergue Machado já estava na mira do senador Romário, que dedicou-lhe uma capítulo inteiro no seu livro “Um Olho na Bola, Outro no Cartola”. Confira ai:

O “amarra-cachorro ” de Renan

Figura carimbada nas rodas políticas e conhecido da imprensa esportiva, Vandenbergue Machado é funcionário aposentado do  Senado Federal e lobista da CBF desde o final do século passado.
Atuou contra a cpi da cbf/Nike na Câmara dos Deputados e na CPI do Futebol, no Senado, ambas em 2001.

A liberdade do lobista para agir nos bastidores do Legislativo foi comprovada em áudios gravados – constantes do processo da Operação Lava Jato –, na delação premiada do ex-senador Sérgio Machado.
Uma das gravações revela que Vandenbergue recebeu orientações do então presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, acerca do caso envolvendo o ex-senador Delcídio Amaral, investigado e preso pela Operação Lava Jato. A proximidade do lobista com o senador acusado era tanta que o filho de Vandenbergue, o advogado Luís Henrique, atuou na defesa de Delcídio no Conselho de Ética do Senado.

Estranhamente, Vandenbergue Machado ainda circula com credencial do Senado, apesar de ser funcionário aposentado. Mas, para que se conheça um pouco mais sobre o lobista da cbf, transcrevo parte da reportagem “O Delator”, publicada pela revista Piauí* em junho de 2016. O texto sobre a prisão de Delcídio do Amaral é da repórter Malu Gaspar:

…E um dos mais próximos aliados de Calheiros, Vandenbergue Machado, lobista da Confederação Brasileira de Futebol em Brasília, ofereceu abrigo a Maika (mulher de Delcídio) em sua mansão no Lago Sul. Ela aceitou.

“O Vandenbergue era nosso amigo, e eu não queria ficar no hotel, cercada de jornalistas. Só com o tempo percebi que ele e o Renan queriam me vigiar”, contou Maika. Ela ficou hospedada na casa do lobista durante todo o período da prisão, ora sozinha, ora em companhia dos anfitriões. Tanto Calheiros como Delcídio eram vistos em Brasília como políticos amigos da cbf.
Naquele momento, porém, segundo os Amaral, o lobista não agia a mando da entidade. “Ele é o amarra-cachorro do Renan, falava pelo pmdb. E me visitava quase toda semana dizendo: ‘Meu amigo, meu irmão’. Ele queria era me monitorar.”

No jargão popular, o amarra-cachorro é um auxiliar a quem são delegadas tarefas sem importância. No meio político, adquiriu conotação um pouco diferente. “Sabe aquele sujeito que passa depois do chefe para acertar o lado prático de uma negociação? Esse é o amarra-cachorro”, explicou-me certa vez o próprio Delcídio.

Não há dúvidas do domínio de Vandenbergue sobre parlamentares. Isso vem dos tempos em que José Sarney presidia o Senado. Foi ele quem o indicou como representante dos senadores no Conselho Consultivo da Anatel, para cumprir mandato entre março de 2010 e fevereiro de 2013.

Sobre o uso de credencial sem validade, consultei a direção da Secretaria de Polícia Legislativa do Senado Federal. Queria saber em que condições Vandenbergue acompanhava as reuniões da cpi do Futebol – 2015, pois ele se dirigia aos órgãos administrativos da Comissão e sistematicamente abordava integrantes da cpi, como se ainda fosse servidor do Senado Federal.

O diretor da Secretaria de Polícia Legislativa, Pedro Ricardo Araújo, veio ao meu gabinete dar explicações. Segundo ele, Vandenbergue foi interpelado sobre o episódio, mas alegou que vinha ao Senado tratar de assuntos referentes à sua aposentadoria. Maior deboche, impossível. Mesmo assim, o diretor da Secretaria Legislativa aceitou essa desculpa ofensiva ao Poder Legislativo. Era uma nova demonstração da força da cbf também sobre os órgãos de segurança do Senado.

Com essa influência, Vandenbergue tentou evitar a convocação de seu chefe, Marco Polo Del Nero, para comparecer à cpi. Del Nero utilizou todo o aparato de apoio político à cbf para postergar ao máximo a sua ida à Comissão. Quando o fez, após nítida fuga à primeira convocação e promessa de que viria apenas se “convidado”, com o temor de ser preso, utilizou-se de um habeas corpus preventivo para se eximir de dizer a verdade em algum questionamento mais comprometedor.

Vandembergue também foi assessor do senador Marco Maciel, no senado e na casa Civil, governo José Sarney.

2 Comentarios

  1. Lobby$ em brasilia corria leve e solto, $erá que a fonte secou?Govermo Bolsonaro mexe com interesses que nossa vã filosofia desconhece . Está sofrendo uma pressão sem precedente na história do Brasil.

  2. Se na CBF (e no futebol brasileiro) tudo continua como dantes, por que não existiria o quartel de Abrantes?

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