Por Nelson Motta (O Globo) 
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O Fla-Flu, que Nelson Rodrigues dizia ter começado 40 minutos antes do nada, pede respeito. Não pode ser usado para designar pejorativamente os antagonismos e radicalismos intolerantes e destrutivos que assolam o Brasil como uma epidemia.

Porque o Fla-Flu é um grande clássico, mas nunca foi uma rivalidade visceral e feroz como o Gre-Nal, Ba-Vi e Atlético-Cruzeiro, ou mesmo Flamengo-Vasco, histórico antagonismo das duas maiores torcidas cariocas. Porque o Flamengo nasceu do Fluminense, como o PSDB saiu do MDB.

Quanto mais estúpido e violento o confronto, menos merece ser chamado de Fla-Flu.

Muito pior é a peleja entre as turmas “Câmara de gás” X “Jardim do Éden” do STF, dividindo julgamentos com interpretações antagônicas das mesmas leis do jogo e provocando insegurança na torcida do MP, advogados, juízes e réus. Pode isso, Arnaldo?

Assim como o cinema falado era o grande culpado da transformação no samba de Noel Rosa, a transmissão ao vivo dos espetáculos jurídicos do STF se transformou em um campeão de audiência e indiscutível avanço democrático com a transparência dos julgamentos. Mas as luzes literais e metafóricas acenderam e incendiaram as supremas vaidades inerentes ao cargo. As posições jurídicas e ideológicas dos que julgam os juízes e os donos da política e do dinheiro, para complicar, se confundiram com antipatias, invejas e rivalidades pessoais que remetem aos tempos de escola, quando terminavam em tapas. Agora, terminam em capas.

Chamar isso de Fla-Flu ofende rubro-negros e tricolores e a nobreza do clássico.

Metáfora futebolística mais adequada são os chutes, pontapés, cabeçadas e joelhadas digitais entre tucanos e petistas nas redes sociais. São rotos X esfarrapados repetindo seus bordões para suas torcidas, tentando comprar o juiz e quebrar os adversários, mas ambos estão ligados a políticos criminosos e com seus líderes indiciados, réus ou presos.

Isso não é um Fla-Flu, é uma pelada safada em que vale tudo, menos a verdade.

A tática do nós X eles de Lula pode ter sido um gol para a torcida, mas foi uma goleada contra o país. E contra Lula e o PT.

7 Comentarios

  1. Misturar política com futebol, é chato e sem sentido, cada um no seu quadrado. Essa “guerrinha” de direita e esquerda que tomou conta da internet enche muito o saco. Nesse país não se respeita sua opção partidária.

  2. O PT teve seus méritos e deméritos. Entre estes últimos, o maior de todos, sem dúvida (ao lado do assalto ao Estado orquestrado como razão de governabilidade), foi a divisão dos brasileiros por raça, sexo, gênero, condição social e posição ideológica…

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