Por Tim Vickery, Colunista da BBC Brasil –  Junto com o apresentador André Rizek, lancei uma campanha no Redação SporTV para acabar com o hábito novo de tocar o hino nacional antes dos jogos de futebol (exceto os de seleções, quando é relevante). “Menos hino, mais charanga”, declarou o Rizek. Assino embaixo.

Para falar a verdade, não consigo entender o apelo que o hino nacional tem para o povo brasileiro. Canta-se de uma maneira espontânea e cheia de emoção, em momentos especiais. Canta tanto quem é esquerdista quanto direitista. Canta-se por quê? O que representa? Quais valores? Eu olho para a letra e continuo sem entender.

Estou ciente de que, em algumas pessoas, o parágrafo anterior vai gerar uma indignação seguida por duas perguntas raivosas: por que, então, você não volta para o seu país? E como você atreve a falar de nosso hino quando o seu é tão ruim?

Felizmente, posso afirmar que as duas perguntas são supérfluas. A primeira porque já estou em meu país, fazendo uma visita rapidinha a Londres. E a segunda porque detesto o hino inglês. Não canto, nunca cantei, não me representa.

Acho estranho como tem gente que vai construindo sua identidade em cima de um acidente de nascimento. Isso não é negar a terra natal. Claro que a nossa origem tem uma influência enorme; a língua, a história, a cultura e a mentalidade fazem parte de quem somos. Mas não precisam definir a coisa toda. Na época moderna, globalizada, temos opções.

Tenho refletido bastante sobre esse assunto durante os meus anos no Brasil. Morar num outro país pode te roubar de sua identidade – um perigo no Brasil, onde há a palavra “gringo” para fazer referência a qualquer um de qualquer outro lugar.

1 Comentário

  1. Pois eu adoro o hino, acho emocionante em qualquer situação que ele é tocado. Por mim deveria voltar aquela tradição de tocá-lo nas escolas sempre, despertar o orgulho do brasileiro tão frágil, infelizmente.

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