Domènec Torrent não gostou quando repórteres lhe perguntaram se ele tinha receio de não continuar, caso o Flamengo não ganhasse no Equador. E respondeu com uma ironia que beirou quase como um insulto ao futebol brasileiro:
“Que continuidade? Eu não controlo. Só estou focado em trabalhar muito duro. Que continuidade? Aqui quando um técnico perde um jogo está fora. Na Europa é diferente, talvez por isso na Europa o futebol hoje seja diferente. O Klopp não ganhou nada no primeiro ano, mas agora tem uma equipe maravilhosa no Liverpool”, disse o catalão, tentando nos ensinar “bons modos”; tentando também diminuir a capacidade de um país que já ganhou cinco Copas do Mundo.
Esquece o sr. Domènec que o futebol – aqui ou na Europa –  é regido, sim, pelos resultados. Quem não ganha corre o risco de perder o emprego.
Quer um exemplo? No dia 29 de outubro de 2018, o Real Madrid demitiu o técnico Julen Lopetegui, após derrota para o Barça, na véspera. 
A passagem relâmpago de Lopetegui (ex-seleção espanhola)  pelo Real Madrid durou 135 dias, e o argentino Santiago Solari, do Castilla, time da base que disputa a terceira divisão, assumiu como interino em seu lugar.
Há casos & casos, naturalmente. Outro lembrete ao aborrecido e embravecido treinador catalão: 
Em 2011, por muito pouco o Corinthians não demitiu o técnico Tite, após a vexatória eliminação na pré-Libertadores para o colombiano Tolima. Pois, naquela ano, Tite não só foi mantido, como seguiu o seu trabalho e ganhou a Libertadores e o Mundial de Clubes em 2012.
É assim mesmo que o futebol funciona, meu caro Domènec Torrent. Fique sabendo que, se o Flamengo por acaso tivesse perdido ontem em Guayaquil, a esta hora você certamente já estaria arrumando as malas para ir embora do Brasil.

3 Comentarios

  1. Não tenho procuração para defender o treinador rubro-negro, porém acredito que a resposta do catalão tem a mais a ver com a cultura do que deboche. A forma como os treinadores são demitidos no Brasil assusta os europeus, que estão acostumados a trabalhos de longo prazo. Você citou o exemplo de Julen Lopetegui no Real Madrid, mas isso foi um ponto fora da curva. No ano passado o rebaixado Cruzeiro teve quatro treinadores em uma única edição do campeonato brasileiro. Rogério Ceni estava no Fortaleza, teve um breve passagem pelo Cruzeiro e depois voltou para o próprio Fortaleza. Que lugar do mundo se vê isso? Não é a toa que estamos a quase vinte anos sem uma Copa do Mundo. Vitórias são prioridades, porém a nossa cultura imediatista prejudica mais do que ajuda.

  2. Ele não mentiu, né? Difícil mesmo um treinador se manter aqui se não tiver resultados. O futebol brasileiro é conhecido por essa deficiência, aliás.

  3. É ele estava certo, não falou nada que os cronistas, comentaristas falam todo ano e em todos os campeonatos.Dirigentes escolhem mal seus técnicos e duas ou três derrotas mandam embora para não ficarem mal com suas torcidas.

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