Você já pensou em comprar um clube de futebol? Não é algo tão simples – ou barato –, mas um projeto de lei que tramita no Congresso autoriza a transformação das agremiações em clubes-empresas. Depois da aprovação e sanção do texto, será possível que uma empresa compre o seu time do coração.

Pensando nisso, a Sports Value, empresa especializada em marketing e finanças esportivas, mostrou quanto valem os times brasileiros em um estudo divulgado com exclusividade pelo CNN Brasil Business. E o resultado não traz notícia boa para o nosso futebol.

“O estudo mostra que os clubes valem muito pouco e valerão menos em 2021, quando os impactos da pandemia de Covid-19 estarão mais claros”, avalia Amir Somoggi, sócio diretor da Sports Value e responsável pelo levantamento.

Somados, os 30 clubes mais valiosos do futebol brasileiro têm valor de mercado de R$ 25,1 bilhões.

Aqui, vale uma comparação: a lista mais recente da Forbes com os times (de qualquer modalidade) mais valiosos do mundo mostra o Dallas Cowboys (NFL) com valor de mercado de aproximadamente R$ 28,18 bilhões (com valores convertidos pela cotação do dólar do dia 07 de dezembro – R$ 5,1249).

O primeiro time de futebol da lista é o Real Madrid, da Espanha, que vale aproximadamente R$ 21,7 bilhões.

Se você achou que seu time vale pouco, o estudo do ano que vem – se feito – deve mostrar cifras ainda menores. “Esta é uma fotografia do melhor momento. A tendência é observamos uma redução nos próximos anos”, afirma Somoggi.

O Flamengo no topo

O clube mais popular do Brasil poderia valer bem mais que R$ 2,9 bilhões. Isso porque o rubro-negro já arrecadou mais dinheiro do que gastou nos últimos seis anos, algo raro no futebol brasileiro. E as contas mais organizadas vêm apesar de gastos enormes com atletas, que representam um terço do valor do clube.

Porém, a falta de um estádio para chamar de seu e receitas abaixo do potencial fazem o time não superar os R$ 3 bilhões em valor de mercado.

Este, por outro lado, tem estádio. Sim, é verdade que o Corinthians deve mais de R$ 450 milhões para a Caixa Econômica Federal por causa da Neo Química Arena, mas o Timão consegue gerar receita com o seu estádio.

Ao contrário do Flamengo, o time de Itaquera não consegue fechar um ano no azul há muito tempo. Em 2019, o déficit foi de R$ 177 milhões em um ano que o Itaú BBA classificou como “desastroso” em seu relatório anual sobre as finanças dos clubes brasileiros.

O futuro do atual campeão paulista parece mais promissor que o de seus rivais. Os R$ 2,2 bilhões de valor de mercado estimados pela Sports Value podem disparar por causa do estádio do Verdão, um dos mais modernos do país.

Até 2044, os direitos de exploração do estádio são da WTorre, construtora que bancou todos os custos da arena. Mas, em dias de jogos, a receita é toda do Palmeiras, que ainda tem direito a uma participação progressiva nas receitas de aluguel para eventos (como shows). A participação do Palmeiras começa em 20% e aumenta 5% a cada cinco anos.

Não foi apenas dentro de campo que o tricolor perdeu competitividade nos últimos anos. O time que na década de 2000 era considerado modelo de gestão agora é apenas o quarto mais valioso do Brasil.

Ativos como o Estádio do Morumbi, o Centro de Treinamento da Barra Funda e o Centro de Treinamento de Cotia – de onde saem as revelações das categorias de base – são os itens que mais contribuem para o valor de mercado de aproximadamente R$ 1,78 bilhão.

O Inter é mais um exemplo de clube que tem concentrado em seus ativos a maior parte de seu valor de mercado. Depois da reforma para receber jogos da Copa do Mundo de 2014, o Beira-Rio virou uma grande uma fonte de receita.

A receita com bilheteria dos jogos vai toda para o caixa do Colorado. Pode não parecer, mas há um grande vantagem aí. Seu rival, o Grêmio, por exemplo, não recebe o dinheiro dos ingressos para pagar a reforma da arena. Os shows e outros eventos são explorados pela Andrade Gutierrez e pelo BTG Pactual.

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