Por Miguel Jabour (*) – No ano de 2006, o setor privado brasileiro estava em plena ebulição. Com a justificativa de homenagear as empresas que estavam impulsionando o País, o Correio Braziliense escolheu dez segmentos diferentes de mercado, e, com base no faturamento, recolhimento de impostos, responsabilidade social, ações de preservação do meio ambiente e índice de empregabilidade, criamos o prêmio Parceiros do Desenvolvimento. Para não haver dúvida quanto a seriedade das escolhas, contratamos uma empresa especializada no assunto para analisar todos os indicadores e apontar os vencedores.

A entrega das comendas para as homenageadas teria que ser glamurosa e o local escolhido foi o Centro de Convenções Brasil 21, suntuoso espaço construído pelo empresário Arnaldo Cunha Campos, destinado aos grandes eventos da capital. Foram convidados a compor a mesa: o Presidente Lula, o seu Vice, José de Alencar, a Presidente do Supremo, Ministra Ellen Grace, o Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, o Presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, o Presidente do Senado, Renan Calheiros, o Presidente da CNI, patrocinador do evento, Armando Monteiro, e, lógico, o Presidente dos Diários Associados, Álvaro Teixeira da Costa, promotor da festa. A partir do momento que foi confirmada a presença do Lula, começaram os problemas, pois todas estas autoridades e mais os presidentes do Bradesco, da Petrobras, da Gerdau, da Gol, da Sadia, da Vale do Rio Doce, da Usiminas, indicados a receberem o prêmio, também mandaram dizer que iriam.

No dia do evento recebi a incumbência de colocar os patronos da festa, Álvaro e Armando, ao lado do Presidente da República. Tão logo o chefe do cerimonial da Presidência da República chegou, transmiti-lhe a minha missão e ele prontamente respondeu: nada disso. E foi dizendo qual seria a ordem de precedência das autoridades para a composição da mesa. Informou que o presidente dos Diários Associados sentaria em uma extremidade e o presidente da CNI na outra. Fiquei atordoado, pois caberia a mim dar a notícia que eles ficariam distantes da autoridade máxima. Como início da cerimônia estava próximo, fiz a última tentativa pedindo humildemente ao todo poderoso ritualista que trocasse a formação protocolar, mas ele, com olhar de satisfação, respondeu: não, quem mandou convidar tanta gente importante ao mesmo tempo. Como vi não daria para demovê-lo de seguir a etiqueta, apelei para o governador Arruda que acabara de chegar, com o qual gozava de uma certa credibilidade. Expliquei a situação e ele disse: diga ao chefe do cerimonial que sou o Governador da cidade, e, como tal sou o anfitrião, e, portanto, posso ceder o meu lugar ao lado do Presidente Lula para quem eu quiser. E assim foi feito. Como uma das autoridades chegou atrasada, ficaria deselegante deixar uma cadeira vaga no centro da mesa. Com isso, deu para atender os dois pedidos, mas passei a festa toda evitando passar perto do cerimonialista.

Aprendi mais uma lição: não convide muita gente importante para o mesmo evento.

 

  • Miguel Jabour é advogado, publicitário e consultor master da El-Kouba. Ele escreve aos sábados aqui no blog. 

1 Comentário

  1. Vivendo e aprendendo, meu amigo! Aparentemente, a idéia de ter muita gente importante para o nosso evento, é excelente! Aparentemente…

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