The New York Times’ – Este documentário da Netflix faz um levantamento da carreira pioneira do jogador de futebol brasileiro. Há dois documentários contidos em “Pelé”, David Tryhorn e o filme de Ben Nicholas sobre o fenômeno do futebol brasileiro. O principal deles é o levantamento estrelado das conquistas recorde de Pelé e da adulação nacional. Mas uma segunda história, mais séria, diminui gradativamente a temperatura da sala, uma vez que os militares brasileiros tomam o poder com violência em 1964 e mostram um interesse estratégico no “belo esporte”.

Os cineastas percorrem uma história repleta de histórias, desde a derrota do Brasil em 1950 para o Uruguai na Copa do Mundo (quando Pelé, quando menino, disse a seu pai choroso que a conquistaria de volta) até o triunfo na final de 1970. Em uma entrevista recorrente, a lenda, agora com 80 anos, é genuína e diplomática após décadas de adoração como “o Rei”. Companheiros de equipe continuam apaixonados, jornalistas kibitz, e o cantor e compositor Gilberto Gil e o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, oferecem análises pop.

Mas enquanto ouvimos o futebol repetidamente invocado como a força vital para o senso de identidade do Brasil, um entrevistado se destaca: um ex-ministro do gabinete, Antônio Delfim Netto, que assinou o infame ato “AI-5” da ditadura institucionalizando a tortura e censura. Os cineastas continuam a sugerir que o sucesso da seleção nacional se tornou parte da propaganda militar, e Pelé compartilha suas próprias reflexões cautelosas sobre a época.

O envolvimento da ditadura leva as pressões do jogo do campeonato a outro nível; Pelé mais tarde chamou a vitória na Copa do Mundo de 1970 simplesmente de um “alívio”. Eu ansiava por ver mais de seus talentos em ação; seu gol de cabeça na final da Itália daquele ano parece cosmicamente libertador. Mas, por mais convencional que seja, o filme se preocupa com os traumas do apogeu de Pelé.

NA VEJA

Tratando sobre o documentário, o site da Veja acrescenta:

Pelé, com alguma ingenuidade, mas também com sinceridade, reconhece ter tido privilégios em suas relações com as autoridades, diz ter atendido a convites por educação e, pela primeira vez, revela: foi instado a jogar a Copa de 1970 por pressão do governo (ele se dizia desgostoso, depois do péssimo desempenho do Brasil em 1966). Pelé não deixa dúvidas – o craque sabia estar ajudando o governo, mas não se metia em política, porque não era de seu feitio. Não se podia exigir de Pelé, em contexto completamente diferente dos Estados Unidos, que ele se comportasse com a firmeza de Muhammad Ali na lida contra o racismo e pelos direitos civis. Diz o jornalista Juca Kfouri, em momento chave do documentário, ao dar o tom da prosa: “Enquanto Ali arriscava ser preso por se recusar a servir no Vietnã, Pelé arriscava ser assassinado, com aval do Estado, caso se posicionasse”. É o que Pelé revelou a pessoas próximas, mas nunca deixou que vazasse. E então, ele apenas jogava futebol, e seria injusto exigir de um ser humano (sim, Pelé é um deles) posturas sobrenaturais, impossíveis de se concretizar.

4 Comentarios

  1. Grande Pelé com a bola. Nenhuma surpresa vinda do cidadão Edson.

  2. Coisa mais idiota, Roberto Carlos e Pelé eram imunes à politica, nunca se manifestaram politicamente e isso gerava repulsa do artistas que defendiam a Esquerda e criticavam o Regime Militar. NY Times é Extrema Imprensa vermelha e não merece credibilidade, isso é Fake News, quem viveu a época sabe do que estou falando.

  3. O problema é que naquela época ou você era de direita ou de esquerda. Assim como no Brasil atual, o “isentão” era tratado com desprezo pelas duas correntes ideológicas predominantes da época. Veja por exemplo o que aconteceu com Wilson Simonal, que nem ligava para a política, mas que só pelo fato de ter usado dois comparsas da PE para ameaçar um empresário logo foi taxado de aliado da Ditadura. Simonal foi devorado pelos dois lados e isso acabou com sua carreira. Pelé e Roberto Carlos, mais inteligentes do que Simonal, ficavam neutros e assim passaram ilesos por esse período.

  4. Roberto Carlos nos últimos anos se posicionou mais politicamente, pesquisem um pouco. Quem assiste os shows dele nos cruzeiros sabe.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar
Logo Qualitare