Por Miguel Jabour (*) – Tenho um amigo que gosta de apostar nos cassinos de Las Vegas, preferencialmente nas mesas de blackjack, onde até 8 apostadores jogam cartas contra um croupier, que é o representante do dono. Ele sempre diz: se, até a terceira rodada, você não identificar quem é o pato da mesa, pode estar certo que é você. Nas aplicações financeiras é igual: a gente só percebe quem é o trouxa, muito tempo depois, quando faz as contas na declaração do imposto de renda. Neste instante, sempre vem a minha mente a história do goleiro Manga, do Botafogo, que contraiu um empréstimo bancário de CR$ 100,00 (cem cruzeiros). Ele assinou as notas promissórias no escuro e no dia seguinte verificou que na sua conta só tinham depositado R$ 90,00 (noventa reais). Foi difícil explicar para o atleta que era praxe do banco cobrar os juros antecipadamente. No entanto, toda vez que passava pelo gerente, ele gritava, na frente de todo mundo: ladrão, ladrão.

Sempre desconfio quando o responsável pela minha conta indica um CDB, fundo de renda fixa ou de previdência privada. Os produtos mais rentáveis estão guardados, pois o bom negócio não vem até nós, temos que ir buscá-los. Nas aplicações conservadoras, descontada a inflação, os impostos e as taxas bancárias, temos um pequeno ganho líquido. No Brasil, cada banco dá um apelido para seus produtos, dificultado a pesquisa para a comparação pela melhor opção de ganho. Num país onde a moeda é forte, como no Japão ou Suíça, o correntista, declaradamente, paga para ter o seu dinheiro guardado. A inflação é negativa e, portanto, tem justificativa para esse comportamento. Aqui não tem.

Com o cenário atual, não podemos admitir os aumentos absurdos dos planos de saúde, das mensalidades escolares ou do plano de telefonia celular. Esta regra também vale para o nosso chope, que tem subido mais do que deveria. Atualmente de 3 chopes consumidos, 1 vai para impostos. Pelas minhas contas, poderia beber o quarto se não houvesse a absurda tributação. Além de tudo, isso é de uma falta de religiosidade a toda prova, pois antigamente a gente dava 1 golinho para o santo, espontaneamente, e agora damos, compulsoriamente, uma tulipa inteira para o governo.

Faz lembrar o antigo e fora de uso GPS do carro, quando uma voz feminina com sotaque lusitano dizia: recalculando

 

  • Miguel Jabour é advogado, publicitário e consultor master da El-Kouba. Ele escreve aos sábados aqui no blog.

2 Comentarios

  1. Eu tenho uma desconfiança completa dos bancos, dos gerentes de bancos. Eles guardam nosso dinheiro e ganham mais dinheiro ainda. Nós somos otários nas mãos desses estabelecimentos.

    • Somos otários nas mãos deles e de “instituições” que querem nos ensinar como “ganhar dinheiro”, a pretexto de que “os bancos não nos aconselham adequadamente” Se eles sabem, por que nos diriam? É óbvio que eles ganham com a intermediação (como os próprios bancos, aliás) e transferem o risco para os otários (nós). E dá-lhe propaganda enganosa (vide “Betina!)! A questão é que o nosso dinheiro é disputado por uma sanha de chupins, que querem sempre nos vender um plano, um serviço, uma “comodidade” (comentei outro dia sobre isso, aqui), e, mais raramente, um produto, porque este, normalmente, você encontra na internet ou nas prateleiras das lojas e supermercados e a relação de consumo não se protrai no tempo, encerra-se ali mesmo, naquele ato, o que não é tão interessante para o fabricante/fornecedor – não falo do comércio, que vive da intermediação simples – quanto “fidelizar” o cliente numa relação de longo prazo, preferencialmente…

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