Com mais um processo de Impeachment aberto no Brasil, o Portal da Band, em extensa reportagem assinada por Weslley Neto, relembrou como era o ambiente esportivo em 1992, quando outro presidente foi apeado do poder. Veja quais eram os destaques do noticiário esportivo em 1992, na época da queda de Fernando Collor:
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SELEÇÃO

Foi o ano em que Carlos Alberto Parreira assumiu a Seleção Brasileira pela primeira vez. Paulo Roberto Falcão, técnico vice-campeão da Copa América com o Brasil em 1991, não teve a chance de dar sequência ao trabalho. Logo no primeiro amistoso do ano, disputado conta os Estados Unidos, Parreira colocou em campo 5 jogadores que estariam na Copa do Mundo de 1994: Cafu, César Sampaio, Raí, Müller e Bebeto. Carlos, Luís Cláudio Winck, Antônio Carlos, Ronaldão, Luís Henrique, Elivélton, Valdeir, Wilson Mano e Evair também participaram da partida.

No dia 26 de agosto, às vésperas da concretização do Impeachment, o Brasil disputou um amistoso contra a França no Parque dos Príncipes. Os protestos contra o presidente Fernando Collor chamaram a atenção dos franceses. Nas arquibancadas, brasileiros entoaram o grito “fora Collor” e estampavam o pedido em faixas amarelas. Um dia antes da partida, manifestações foram realizadas em frente ao apartamento que supostamente pertencia a Paulo César Farias, empresário envolvido no esquema de corrupção. 7 dias depois, Collor era afastado da presidência. A renúncia oficial do ex-governador de Alagoas aconteceu no dia 29 de dezembro.

Dentro de campo, a equipe fez uma ótima apresentação e venceu os donos da casa por 2 a 0, recebendo muitos elogios após a partida. Dos 14 que participaram do amistoso, 10 foram campeões mundiais nos Estados Unidos: Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha, Branco, Mauro Silva, Raí, Zinho, Bebeto e Romário. Luís Henrique, Valdo, Careca e Ricardo Gomes completam a lista.

A grande decepção do ano foi a eliminação no Pré-olímpico sul-americano em janeiro, que dava acesso para a disputa das Olimpíadas em Barcelona. Com uma geração de muitos talentos, como Júnior Baiano, Márcio Santos, Cafu, Roberto Carlos, Dener e Marcelinho Carioca, o Brasil viu Paraguai e Colômbia conquistarem a classificação. Mesmo vencendo paraguaios e peruanos, o time comandado por Ernesto Paulo ficou de fora após derrota para os colombianos e empate diante dos venezuelanos.

CAMPEONATO BRASILEIRO

Vinte equipes disputaram o torneio nacional. Na primeira fase, todas se enfrentaram em turno único. Os 8 primeiros da tabela formavam dois grupos na etapa seguinte. O melhor time de cada grupo conquistava uma vaga na final, realizada em duas partidas.

Depois de se classificar na quarta posição, o Flamengo foi o campeão após uma vitória e um empate sobre o Botafogo. As duas partidas aconteceram no Maracanã. Logo no primeiro jogo, com mais de 102 mil torcedores presentes, Júnior comandou a vitória Rubro-negra por 3 a 0. Além do craque, Nélio e Gaúcho,  marcaram na partida.

Depois da vitória, jogadores do Flamengo comemoraram o resultado com um churrasco na casa de Gaúcho. O quase xará Renato Gaúcho, principal estrela do Botafogo na época, compareceu no evento. A polêmica irritou os Alvinegros e acabou tirando o jogador da grande final do Brasileirão.

Na decisão, as equipes cariocas empataram em 2 a 2. Júnior voltou a marcar, destacando-se como principal jogador da final. Júlio César também marcou para o Rubro-negro, enquanto Valdeir e Pichetti fizeram para o Botafogo. Mas o jogo ficou marcado por um triste fato. Durante a partida, uma grade da arquibancada do Maracanã cedeu, provocando a queda de centenas de pessoas para o anel inferior. Três torcedores morreram. O Maracanã iniciou uma reforma e nunca mais recebeu um público parecido com os 122 mil torcedores presentes naquele clássico.

O artilheiro da competição foi Bebeto, que marcou 18 gols pelo Vasco da Gama. No final do torneio, o atacante deixou São Januário para defender o Deportivo La Coruña na Espanha.

Não houve rebaixamento. Náutico e Paysandu, últimos colocados, permaneceram na elite. Mais doze clubes subiram para complementar o Brasileirão, que contou com 32 clubes no ano de 1993.

A Copa do Brasil, que ainda não tinha tanto prestígio, era disputada por apenas 32 equipes. A grande maioria ingressou na competição por ser campeã estadual em 1991. Depois de eliminar Corinthians, Grêmio e Palmeiras, o Internacional saiu vencedor após decidir o título contra o Fluminense. Gérson, atacante do Colorado, foi o artilheiro da competição com 9 gols.

DIVISÕES INFERIORES

Na série B, o Paraná garantiu o título após disputar 30 jogos em um regulamento complicado. As 32 equipes participantes eram separadas em quatro grupos de 8 times. Por conta da mudança de regulamento para o ano seguinte, os três primeiros de cada chave se classificaram para a segunda fase e já garantiam vaga na primeira divisão de 1993. Além da equipe paranaense, Vitória, Criciúma, Santa Cruz, Remo, América-MG, Fortaleza, União São João, Grêmio, Ceará, Desportiva Ferroviária e Coritiba avançaram na competição. A competição ainda teve três fases. Na última delas, com 4 participantes em disputa de pontos corridos, o Paraná, clube que só tinha três anos de idade, se sagrou campeão. O Grêmio, maior equipe na competição, terminou apenas com o nono lugar.

A terceira divisão contou com muitos clubes que deixaram de figurar nas principais divisões do futebol brasileiro. Tiradentes (PI), Sergipe, Atlético Acreano, Ferroviário de Fortaleza, Clube Atlético Guará (DF), Macapá, Rio Pardo (ES), Izabelense (PA), Auto Esporte (PB), Matsubara (PR), Operário Ferroviário (PR), Rio Negro (AM), Nacional (AM), Catuense (BA) e Moto Club (MA) fizeram parte da disputa. O Tuna Luso, do Pará, foi o campeão. Por conta do cancelamento da Série B em 1993, nenhuma das equipes disputaram a divisão superior.
A GLÓRIA DO TRICOLOR

Após o título brasileiro em 1991, Telê Santana continuava escrevendo uma história vitoriosa à frente do São Paulo. Após eliminar Nacional do Uruguai, Criciúma e Barcelona de Guayaquil, o Tricolor venceu a Copa Libertadores superando o Newells Old Boys na grande final. Raí e companhia perderam por 1 a 0 na Argentina e venceram pelo mesmo placar no Morumbi, forçando a disputa de pênaltis. O camisa 10, assim como Ivan e Cafu, converteu sua cobrança e ajudou o São Paulo a vencer por 3 a 2.

O título sul-americano permitiu ao Tricolor decidir a Copa Intercontinental contra o Barcelona em terras japonesas.  Comandados por Yohan Cruyff, os catalães contavam com o holandês Ronald Koeman e o búlgaro Hristo Stoichkov.  No dia 13 de dezembro, o Tricolor não se intimidou e contou com grande partida de Raí para vencer por 2 a 1. Depois do jogo, Cruyff se rendeu ao time brasileiro: “Se for para ser atropelado, que seja por uma Ferrari. O São Paulo jogou como legítimo campeão.

ESTADUAIS

Em 1992, os campeonatos estaduais ainda eram disputados na reta final do ano. O caso mais curioso aconteceu em São Paulo, onde o Tricolor decidiu o Intercontinental entre as partidas decisivas contra o Palmeiras. No dia 5 de dezembro, uma vitória por 4 a 2 fez com que os comandados de Telê Santana viajassem ao Japão com mais tranquilidade. No retorno, Müller e Toninho Cerezo marcaram os gols do triunfo por 2 a 1, que garantiu o 18º título paulista do clube.

No Rio de Janeiro, o Vasco venceu os dois turnos e sagrou-se campeão sem precisar disputar uma final. O Internacional superou o Grêmio no Rio Grande do Sul para garantir a taça. Cruzeiro, Vitória e Sport também terminaram a temporada com o título estadual. As surpresas ficaram por conta do Brusque, equipe que conquistou pela primeira vez o título em Santa Catarina, e o Londrina, que superou o Coritiba no campeonato paranaense.

REVELAÇÕES E DESTAQUES

Foi o primeiro ano de Edmundo com a camisa do Vasco. Lançado pelo técnico Nelsinho Rosa, o “Animal” brilhou ao lado de Bebeto no Brasileirão daquele ano e terminou a temporada com o título carioca. Os 13 gols em 23 partidas chamaram a atenção do Palmeiras, que levou o craque para fazer parte do esquadrão montado com o dinheiro da Parmalat. Quanto a empresa italiana pagou para contratar o jovem atacante? 2 milhões de dólares. Muito pouco em relação ao que se gasta atualmente no futebol.

No Rio de Janeiro, outra revelação dava seus primeiros passos no futebol. O atacante Sávio, que anos mais tarde jogou pelo Real Madrid, teve suas primeiras oportunidades no time profissional. Em 1995, o atacante já era uma das estrelas do “melhor ataque do mundo”, que também contava com Romário e Edmundo.

O Guarani, que tradicionalmente revelava craques no interior paulista, lapidava duas grandes joias para o futebol brasileiro. Luizão entrava em campo pelo Bugre e se destacava com 7 gols em 35 partidas. Emprestado ao Paraná Clube em 1993, o camisa 9 ainda retornou ao clube para fazer sucesso em 1994 e 1995. Campeão do mundo em 2002, Luizão ainda vestiu a camisa de Palmeiras, Corinthians, Vasco, São Paulo, Flamengo e Santos. A outra revelação foi Amoroso, que em 1992 iniciou sua carreira profissional atuando no Verdi Kawasaki, onde conquistou o campeonato japonês. No Brasil, entrou em campo apenas em 1994. Dois anos depois, vestia a camisa do Flamengo antes de partir para uma carreira internacional. Em 2005, Amoroso foi um dos destaques do São Paulo na conquista da Libertadores e do Mundial de Clubes.

Outro campeão do mundo dava seus primeiros passos em 1992. Dida, jovem goleiro do Vitória, fazia parte do elenco na conquista do campeonato baiano daquele ano e chamou a atenção do Brasil no ano seguinte,  quando a equipe baiana decidiu o Campeonato Brasileiro com o Palmeiras. O goleiro seguiu carreira por Cruzeiro, Corinthians, Milan, Portuguesa, Grêmio e Internacional e foi titular no gol do Brasil durante a Copa do Mundo de 2006.

Dener, que surgiu na Portuguesa no ano anterior, também estava em grande momento e era cogitado na Seleção Brasileira. Porém, o jogador brasileiro em melhor momento era Romário, artilheiro do campeonato holandês pelo PSV. Zico e Roberto Dinamite, ambos em final de carreira, estavam, respectivamente, defendendo Kashima Antles-JAP e Vasco. Ronaldo, principal revelação do futebol brasileiro nos anos seguintes, ainda dava seus primeiros passos no São Cristóvão, do Rio de Janeiro.

1 Comentário

  1. Nossa, o mundo mudou tanto desde então que nem parece que se passaram pouco mais de 2 décadas, a única coisa que não mudou, infelizmente, foi nossa política, na verdade piorou. Acho que as pessoas que viram a queda de Collor, não imaginariam que veriam outra tão logo. Nem muito menos que o próprio Collor estaria no Senado votando a favor do afastamento. Trágico e cômico.

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