Por Miguel Jabour (*) – Esta frase é do Donga, compositor do samba “Pelo telefone”, grande sucesso do carnaval de 1917. Houve uma tremenda briga pela autoria desta música, pois, na verdade, ela foi composta coletivamente durante uma roda na casa da cozinheira, Tia Ciata. Por ter sido o primeiro samba que se tem notícia, despertou a ira de muitos compositores famosos como Pixinguinha, João da Baiana e Sinhô, que contribuíram com versos. A celeuma estende-se até hoje, mas os direitos autorais foram para o pianista Donga e o jornalista Mauro de Almeida, que o registraram.

Outro episódio curioso sobre o tema aconteceu em 1966, quando Wilson Simonal, gravou a canção “Meu limão, meu limoeiro”. A partir do momento que Carlos Imperial soube que a música era de domínio público, tratou de apoderar-se dela, registrando-a com sua, dando, cinicamente, a coautoria para o verdadeiro dono, José Carlos Burle. O histórico desta canção já era confuso antes deste fato, pois o sucesso já havia sido copiado pelo músico americano Will Holt, em 1950. Na verdade este hit foi duplamente afanado porque Burle o compôs em 1930 e não teve a preocupação de fazer o registro.

Outro  caso desta natureza aconteceu envolvendo “Taj Mahal”, do Jorge Ben, e “ Da Ya Think I’m Sexy”, de Rod Stewart.  O plágio, lançado em 1979, tornou-se sucesso no mundo inteiro e trazia um refrão igual ao “têtêtêretê” consagrado na música do “Babulina”, em 1972. O brasileiro chiou e deu início a um processo contra o usurpador. Stewart reconheceu os direitos de Jorge Bem e doou os lucros obtidos com a veiculação da faixa à UNICEF. Depois o espertalhão declarou que, em 1978, passou o carnaval do Rio de Janeiro na companhia de Elton John e Freddie Mercury e apaixonou-se pela música. Talvez por isso, a melodia tenha fixado na sua mente e ele, involuntariamente, foi influenciado. Tá bom!

Mas a história mais inusitada foi narrada no livro “Cartola, todo tempo que eu viver”, de Roberto Moura. Nela, não houve apropriação, muito menos plágio: ao escutar um samba cantado na Praça Tiradentes, Cartola identificou-o como sendo seu e questionou o intérprete sobre a autoria da obra. O músico disse que o havia comprado do Nelson Cavaquinho. Como a música era parceria dos dois, Cartola, furioso, foi tomar satisfação. Nelson não negou o negócio, apenas disse: vendi, sim, a minha parte. Agora, vai lá e vende a sua.

 

  • Miguel Jabour é advogado, publicitário e consultor master da El-Kouba. Ele escreve aos sábados aqui no blog.

2 Comentarios

  1. Muito bom e esclarecedor esse artigo. Não conhecia esses fatos históricos de nossa música. Abraço

  2. Vivendo e aprendendo..
    Espetacular essas histórias..

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