Reportagem de capa da Veja São Paulo

Por Sérgio Quintella e Mariana Rosário – Um dos mais tradicionais clubes da capital, a Associação Portuguesa de Desportos vive um pesadelo digno das tragédias contadas em fados lusitanos. A organização, cujo time de futebol lançou jogadores como Djalma Santos e chegou a ser vice-campeão nacional em 1996, amarga uma dívida recorde de 350 milhões de reais. O calvário começou em 2013, com o rebaixamento do time à série B do Campeonato Brasileiro. Desde então, a equipe sediada no Estádio do Canindé, na região central, foi caindo, caindo…

Um dos principais golpes no campo veio no ano passado, quando ela ficou fora da quarta e última divisão do torneio. Para piorar, neste primeiro semestre, novamente não conseguiu subir para a série A1 do Paulistão, da qual saiu em 2015. Quanto mais escorrega nos campos, menos receita a instituição angaria com direitos de televisão e patrocínios, e mais endividada fica. No ano passado, quase metade de seu terreno de 102 000 metros quadrados (a outra metade pertence à prefeitura) foi levada a leilão por duas vezes, mas não houve interessados. A atual diretoria investe em uma empreitada desconexa da bola para tentar amenizar a situação de penúria.
A aposta da vez consiste na construção de uma espécie de “camelódromo”, chamado de Feirinha da Madrugada da Portuguesa. Para isso, destinaram-se duas áreas de 28 000 metros quadrados no total, o equivalente a três campos de futebol. Serão 5 000 estandes voltados sobretudo a ambulantes que atualmente trabalham de maneira irregular nas ruas do Brás, bairro vizinho dali, e comercializam em sua maioria produtos piratas.
Os organizadores, entretanto, atestam que não haverá itens falsificados nesse novo local e todo o comércio estará de acordo com a lei. A iniciativa poderá render a princípio 20 milhões de reais ao clube. O anúncio do projeto, ou a falta dele, pegou sócios e conselheiros de surpresa. Eles não esperavam pela chegada, em maio, de máquinas e escavadeiras que demoliram o complexo aquático do clube, fechado havia um ano por falta de manutenção. “Tudo foi feito sem nos consultar”, reclama António Sérgio Pinto Ribeiro, ex-presidente do conselho deliberativo da Lusa.

2 Comentarios

  1. E a culpa – pelo menos como fator detonador, como gatilho – é do Meiguinho. Mas puseram a responsabilidade no Flor. A operação desesperada e de última hora pra evitar o rebaixamento dos mulambos (que haviam jogado no Brasileiro com jogador suspenso, o que lhe renderia a perda dos pontos) foi feita pela CBF – de Marin e Del Nero -, na calada da noite, e contou com a cumplicidade do então presidente da Lusinha, verdadeiro vendilhão do templo…

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